Hoje tive pela primeira vez, pelo menos de forma consciente, o meu primeiro discurso racista com os miúdos. Confesso que não me sinto orgulhosa pelo facto, mas também não sei muito bem como poderia resolver a situação de outra forma.
A princesa tem um grupo de amigos muito diversificado e, pelo tempo que passa com eles e pela importância que vão assumindo na sua vida, tende a imitá-los. Um dos aspectos em que mais se nota este comportamento é na fala. Hoje, se fechar os olhos e ficar só a ouvi-la, não sei se ela é portuguesa ou angolana…durante uns tempos procurei relativizar a situação mas hoje aborreci-me com ela e puxei os galões da nacionalidade.
Preocupam-me sobretudo duas coisas: por um lado, falar mal traduz-se em escrever mal, e para quem está a dar os primeiros passos neste campo isso é muito negativo; por outro lado, a nossa vida por cá é provisória e, no regresso a Portugal, estas características da comunicação, que agora até podem ser engraçadas, serão certamente um entrave à aprendizagem e até à socialização.
Apesar de tudo não me sinto confortável com o que tive que fazer…
4 comentários:
Não estarás a dramatizar?! Ela quando voltar não entra na "linha" novamente?! Mas percebo que falar "angulanês" não seja o mesmo que falar Inglês ou Francês...
provocação: se não queres que a tua filha tenha argumentos válidos contra ti é melhor dares uma vista de olhos no titulo do texto de cima!
O problema é que o angolano não é uma língua, como o Francês ou o Inglês. Apesar de Angola ter cerca de 20 línguas nacionais, a oficial é o Português (de Portugal) e o que acontece é que se mutila esse Português de tal forma que já ninguém sabe falar de forma correcta. Ficaria muito feliz se lhes dessem a possibilidade de na escola aprenderem como segunda língua o kimbundu ou umbundo; fico muito triste quando a ouço dizer coisas como "já lha fiz"...
Assim é que se fala! O neo-colonialismo na versão feminina! Gostei do "falar mal corresponde escrever mal..." Vai te tratar, pá!!!
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